A poluição sonora causada por aeronaves
A poluição sonora causada por aeronaves é um problema ambiental significativo em muitas áreas ao redor do mundo. As aeronaves produzem uma grande quantidade de ruído durante a decolagem, aterrissagem e durante o voo. Esse ruído pode ter impactos significativos na saúde e bem-estar das pessoas que vivem perto de aeroportos e rotas de voo.
A poluição sonora
das aeronaves é medida em decibéis (dB), que é uma unidade de medida para o
som. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta de exposição
máxima ao ruído de 45 dB durante o dia e 40 dB durante a noite, para evitar os
efeitos adversos do ruído na saúde humana. No entanto, os níveis de ruído das
aeronaves podem exceder facilmente esses limites. Uns dos principais efeitos da
poluição sonora das aeronaves são os problemas como estresse, perda auditiva e
impactos psicológicos. Estudos mostram que a exposição prolongada ao ruído de
aeronaves também pode levar a problemas respiratórios, hipertensão, doenças
cardíacas e distúrbios do sono. Além disso, a poluição sonora das aeronaves
pode ter impactos negativos na fauna local, afetando a capacidade dos animais
de se comunicarem, encontrarem alimentos e se reproduzirem.
Existem várias
maneiras pelas quais as companhias aéreas e os governos podem trabalhar juntos
para reduzir a poluição sonora das aeronaves. Uma abordagem comum é o uso de
tecnologias mais silenciosas, como motores com tecnologia de baixo ruído e
materiais de isolamento acústico. Além disso, as companhias aéreas podem
trabalhar para planejar rotas de voo que minimizem o ruído nos locais de
decolagem e aterrissagem. Podem ser implementadas regulamentações pelas
autoridades para limitar o impacto da poluição sonora das aeronaves. Em muitos
países existem leis e regulamentações que tratam da poluição sonora das
aeronaves. Essas leis podem incluir limites de ruído para aeronaves, horários
de voos restritos, requisitos de isolamento acústico para edifícios próximos aos
aeroportos, entre outros e podem incluir métodos como a imposição de multas e
outras sanções para as companhias aéreas que violam as regras.
No âmbito do
direito internacional o Anexo 16 à Convenção de Chicago é o acordo, desenvolvido
pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO), que estabelece padrões
internacionais para a emissão de ruído das aeronaves. Ele foi inicialmente
adotado em 1971 e desde então tem sido periodicamente atualizado para incluir
novas tecnologias e abordagens para a redução do ruído. O Anexo 16 contém
padrões e recomendações para a medição do ruído produzido pelas aeronaves, bem
como limites de ruído para diferentes tipos de aeronaves, dependendo de sua
categoria e peso. Ele também inclui requisitos para a certificação de aeronaves
quanto à sua conformidade com os padrões de ruído estabelecidos. A
implementação dos requisitos no Anexo 16 é obrigatória para todos os estados
membros da ICAO. É importante que os Estados garantam que suas aeronaves
cumpram os limites e padrões, tanto em suas próprias operações quanto nas
operações de aeronaves registradas em outros países. A adesão ao Anexo 16 é
vista como uma importante medida para reduzir a poluição sonora causada pelo
tráfego aéreo. No entanto, alguns críticos argumentam que os padrões
estabelecidos no Anexo 16 não são suficientemente rigorosos para lidar com o
impacto ambiental do ruído produzido pelas aeronaves.
Na União Europeia
a questão em relação à poluição sonora das aeronaves é regida pela Diretiva
2002/49/CE, conhecida como Diretiva do Ruído Ambiental, que é a legislação que
visa proteger a saúde e o bem-estar das pessoas contra a poluição sonora. A
diretiva estabelece um conjunto de medidas para reduzir o ruído ambiental em
diferentes fontes, incluindo o tráfego rodoviário, ferroviário e aéreo. No que
se refere especificamente à poluição sonora das aeronaves, a diretiva introduz
limites de ruído para as diferentes fases do voo, incluindo a decolagem, a
subida, o cruzeiro e a aterrissagem. Esses limites são baseados em níveis de
ruído medidos em decibéis (dB) e variam de acordo com o tipo de aeronave, a hora
do dia e o local de operação. A diretiva também menciona a necessidade de se
elaborar mapas de ruído em torno dos aeroportos europeus. Esses mapas devem ser
atualizados a cada cinco anos e fornecer informações precisas sobre os níveis
de ruído em diferentes áreas afetadas pelas atividades do aeroporto. Os aeroportos
da UE também são obrigados a desenvolver Planos de Ação para Redução de Ruído,
que incluem medidas para reduzir o impacto do ruído nas comunidades próximas
aos aeroportos. Essas medidas podem incluir a implementação de rotas de voo
alternativas, a introdução de tecnologias mais silenciosas para as aeronaves e
a melhoria do isolamento acústico em edifícios próximos aos aeroportos. Além
disso, a diretiva inclui a obrigação de informar o público sobre os níveis de
ruído das aeronaves e os impactos na saúde humana. As informações sobre o ruído
das aeronaves devem ser disponibilizadas ao público por meio de sites da
internet, avisos sonoros em aeroportos e outras formas de comunicação.
Uma medida fora
da legislação é que as pessoas que vivem perto de aeroportos e rotas de voo
estejam conscientes dos efeitos da poluição sonora das aeronaves e tomem
medidas para se protegerem. Isso pode incluir o uso de protetores auriculares,
a instalação de isolamento acústico em casas e edifícios ou a mudança para
áreas menos afetadas pelo ruído das aeronaves.
Em resumo, a poluição sonora aeronáutica causa muitos problemas que afetam a vida saudável dos cidadãos. As organizações internacionais tentam de tomar medidas para resolver este caso, incorporando regras no âmbito europeu e internacional. Esperamos que as autoridades e as empresas façam o seu trabalho de garantir um ambiente melhor.
Siyana Karanikolova
Bibliography:
- "The Main Sources Of Aircraft Noise & The Steps Taken To Reduce Them", Mohamed Anas Maaz, 2022
- "Environmental Noise in the European Union", 2020
- "Enviromental Noise Directive" EU
- "Clémence Baudin, Marie Lefèvre, Wolfgang Babisch, Ennio Cadum, Patricia Champelovier, Konstantina Dimakopoulou, Danny Houthuijs, Jacques Lambert, Bernard Laumon, Göran Pershagen, Stephen Stansfeld, Venetia Velonaki, Anna Hansell, Anne-Sophie Evrard, The role of aircraft noise annoyance and noise sensitivity in the association between aircraft noise levels and hypertension risk: Results of a pooled analysis from seven European countries, Environmental Research, 2020
- Basner M, Clark C, Hansell A, Hileman JI, Janssen S, Shepherd K, Sparrow V. Aviation Noise Impacts: State of the Science. Noise Health. 2017
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